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Foz do Iguaçu Foz do Iguaçu

Desavenças e ameaças entre vereadores podem ir ao Conselho de Ética da Câmara de Foz

Admilson Galhardo e Adnan El Sayed quase entraram em vias de fato durante sessão legislativa.

19/11/2021 08h45 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação Fonte: EMS Editores com GDIA
Divulgação
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O Conselho de Ética da Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu poderá ser acionado para apuração do desentendimento entre os vereadores Admilson Galhardo (Republicano) e Adnan El Sayed (PSD). Os dois quase entraram em vias de fato durante a sessão desta quinta-feira, 18 de novembro. Galhardo chegou a levantar-se da cadeira para ir em direção a Adnan, mas foi contido pelo vereador Cabo Cassol (Podemos). As cenas foram transmitidas ao vivo pela TV Câmara.

A desavença aconteceu no final da sessão, na palavra livre. Os vereadores debatiam o problema do aumento do índice de mortalidade infantil e a necessidade de instalação da UTI Pediátrica. “Desde março de 2019, o serviço se encerrou. O contrato até então era entre o Estado e o Hospital Ministro Costa Cavalcanti e o encerramento deixou o Município com apenas um leito de UTI pediátrica”, alertou em pronunciamento na tribuna, o vereador Alex Meyer (PP) que abriu o debate sobre o assunto.

Desde o fim do contrato, crianças que precisam de UTI são transferidas para as regionais de Cascavel, Toledo e Francisco Beltrão. O vereador levantou informações de que a Secretaria de Estado pretende retomar o contrato, porém não definiu data. Alex abordou a necessidade de cobrança citando o deputado Hussein Bakri (PSD), da cidade de União da Vitória, líder do Governo na Assembleia Legislativa, que segundo o vereador, é um “suposto representante de Foz do Iguaçu” e que “gosta de aparecer em fotos de inaugurações na cidade, mas fazer de fato algo pela cidade, não vejo”.

Galhardo pediu aparte e declarou: “Falando especificamente em relação ao deputado Bakri, ele é terceiro ou quarto suplente” e que para estar no cargo, o governador teve que nomear deputados da legenda. “Vejo vereadores aqui dizendo que vão defender o Bakri, o que é uma estratégia dele, mas eu vou dizer: será que aqui em Foz não tem pessoas com capacidade?”

A demora na reestruturação do serviço de UTI pediátrica, segundo declarou Galhardo, é porque “virou politicagem às custas da morte de crianças (...) Querem deixar a cidade de joelhos para dizer que Foz precisa do Bakri”.

Bate-boca e nervos exaltados

Logo na sequencia da fala de Galhardo, o vereador Adnan El Sayed, líder do PSD, pediu um aparte e saiu em defesa de Bakri. “A UTI Pediátrica está virando politicagem aqui nessa casa, jogando (o assunto) para lá e para cá para se promover”. Ao dirigir-se diretamente a Galhardo, o vereador disse que “não é nenhum demérito ser suplente, vereador. O senhor já foi suplente aqui e assumiu o cargo por um tempo”.

E completou: “Naquela época, inclusive, o senhor apoiava o Reni (Pereira, ex-prefeito de Foz do Iguaçu) e carregava a bolsa da Cláudia (Pereira, então primeira-dama do Município), que foi deputada também e não sei o que ela trouxe para Foz do Iguaçu”. Nesse momento, Galhardo interrompe a fala de Adnan e esbraveja: “Você limpe a boca para falar comigo nesse tom. Você limpe a boca, seu... Está pensando que está falando com quem?”.

Galhardo levantou-se da cadeira e foi em direção onde Adnan estava sentado e falando, “de quem que eu carregava a bolsa? De quem eu carregava a bolsa”. O vereador foi contido pelo Cabo Cassol. E Adnan prosseguiu: “Falar é fácil, né, ouvir é difícil”. Para acalmar a situação, o presidente Ney Patrício (PSD) pediu que se encerrassem os apartes para dar sequencia à sessão.

Caso pode parar no Conselho de Ética

Fatos com o ocorrido na sessão podem parar no Conselho de Ética da Câmara. Para tanto, basta a parte que se sentir ofendida apresentar uma denúncia. A representação pode ser feita não só por vereadores, mas por qualquer cidadão. Logo após a sessão, o vereador Galhardo afirmou que não só vai denunciar Adnan no Conselho de Ética, como também irá representá-lo na justiça em razão da “ofensa à honra e danos morais”, por “insinuar intimidades” com uma pessoa, sendo ele “homem de família, casado e pai. Ofendeu minha honra e vai responder por isso em todas as instâncias”.    

Adnan também se pronunciou: “Fui vítima de uma tentativa de intimidação e de agressões gratuitas por alguém que já vinha tendo comportamentos inadequados para a posição que ocupa. O Legislativo é um lugar democrático e de debate, no campo das ideias, e não de agressões físicas e pessoais. Quem não entende isso, por falta de compreensão ou de respeito ao que é público, como seu cargo, usa seu papel de representante da população para protagonizar episódios lamentáveis como os de hoje. Mas eu sigo tranquilo e confiante na apuração dos fatos e nas medidas disciplinares, civis e criminais a serem tomadas pelos órgãos competentes”. 

No Conselho de Ética, as penalidades vão desde advertência, suspensão do mandato por até quatro meses e em último caso, dependendo da gravidade, pode resultar na cassação de mandato.

 

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