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100 anos: igreja São João Batista faz parte da história da Diocese e do município

O santo padroeiro, um dos mais reverenciados pela fé católica, é o primeiro a reconhecer Jesus como o Messias.

03/06/2024 às 19h21 Atualizada em 04/06/2024 às 15h59
Por: Redação Fonte: Assessoria
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Foto: Divulgação - Assessoria
Foto: Divulgação - Assessoria

Em junho, Foz do Iguaçu completa 110 anos de emancipação-política, no dia 10, e a paróquia São João Batista, a mais antiga do município, comemora o seu centenário, no dia 24. São datas muito importantes para o calendário histórico, memorial e afetivo da matriz, da Diocese e da cidade, que tem como padroeiro o nome do santo da igreja.

Um ano para ser muito festejado. Totalmente restaurada com novos vitrais, artes sacras e portas, a igreja faz parte hoje de um grande circuito turístico religioso para toda a comunidade e visitantes de toda parte.

A cidade cresceu juntamente com a comunidade da igreja católica, que tem como berço a matriz São João Batista. A história oficial de Foz do Iguaçu começa em 1889, quando foi fundada a Colônia Militar, cuja competência era distribuir terrenos a colonos interessados. Em 1910, a colônia passou à condição de Vila Iguassu, como distrito do município de Guarapuava. 

Dois anos depois, o ministro da Guerra emancipou a Colônia, que se tornou um povoamento civil entregue aos cuidados do governo do Paraná. Em 14 de março de 1914, pela Lei 1 383, foi criado o município de Vila Iguassu, instalado efetivamente no dia 10 de junho do mesmo ano, com a posse do primeiro prefeito, Jorge Schimmelpfeng, e da primeira Câmara de Vereadores. Em 1918, o município passou a denominar-se Foz do Iguaçu.

A igreja São João Batista faz parte da história de Foz do Iguaçu já nos primeiros anos do município. Primeiro templo católico da cidade, era inicialmente uma pequena capela de madeira, erguida em 1924, num terreno doado pelo prefeito Jorge Schimmelpfeng em 2016, que foi posteriormente substituída por uma igreja de alvenaria após um incêndio ocorrido em 1925.

Demora

A construção da nova igreja foi demorada, como conta Donald Fernandes Bernal em sua tese para obtenção do título de doutor em Sociedade, Cultura e Fronteiras, pela Unioeste. A igreja abriu ao público somente em 1942, mas até que a torre com os sinos fosse definitivamente finalizada, apresentando a igreja com a aparência que tem atualmente, levou ainda mais uma década.

Depois disso, ainda houve várias mudanças no prédio que abriga o templo católico. As mais importantes, lembra o autor da tese de doutorado, ocorreram no final dos anos 1970 e em 2013. Na primeira, foram ampliadas as paredes laterais, instalada a forração horizontal e feita a elevação de uma parede dividindo o altar para se criar espaço para a sacristia e um depósito. Em 1978, concluída a reforma, a matriz se tornou a Catedral da Diocese de Foz do Iguaçu, o que durou até 2007, quando voltou a ser paróquia (a Catedral Nossa Senhora de Guadalupe estava em construção desde 2003, na Vila A de Itaipu).

As mudanças na igreja, em 1978, não se comparam à intervenção à qual foi submetida em 2013. Foi “uma drástica reforma que culminou na necessidade de demolição quase que total do prédio”, diz Donald Fernandes Bernal em sua tese.

Modernidade e história

“A igreja reerguida é, em sua parte externa, aparentemente similar à antiga, porém sua estética interna é moderna, executada com acabamento de alto padrão arquitetônico, bem diferente do que comumente se observa nas igrejas antigas de diversas outras cidades, onde se prima pela conservação de sua originalidade. Desta forma, em quase sua totalidade, a edificação que existe atualmente não é a mesma do passado, e sim outra construção, inspirada no prédio original. Da igreja antiga, foram preservados apenas a torre, a fachada, e dois vitrais do altar.”

O pároco Padre Vicente, responsável pela reforma de 2013, tinha a intenção de “resgatar a aparência que a igreja apresentava originalmente, principalmente em sua parte interna”. O projeto inicial previa ampliar o espaço interno, removendo a parede que dividia a nave da igreja e o depósito, e devolver a forração em formato arcado. “Além do propósito usual prático, esta intervenção viria a proporcionar certo conceito histórico, uma vez que faria lembrar a antiga igreja”, diz Bernal.

Valdir Garbin129 (2019), arquiteto responsável pelos projetos recentes de reforma da paróquia, foi entrevistado pelo autor da tese de doutorado. Segundo ele, a reforma de 2013 “o resultado do investimento superou as expectativas e foi amplamente aprovado. Em seu aporte técnico, por sua complexidade, a reforma desta igreja pode ser pensada como um triunfo da arquitetura e engenharia. Foram empregadas na obra diversas técnicas até então pouco realizadas na região, algumas delas exclusivas para o intento”.

Mas houve problemas que atrasaram a entrega das obras, prevista para junho de 2014, quando houve a comemoração dos 90 anos da paróquia. A complexidade do projeto só permitiu a conclusão em 2015, quando houve uma celebração especial que contou com a presença de autoridades locais, vários sacerdotes e a participação da comunidade católica.

O incêndio de 1925

Em sua tese de mestrado, que resultou de uma ampla pesquisa e entrevistas, Bernal lembra que Foz do Iguaçu nos anos 1920, quando surgiu a capela que hoje é a Igreja Matriz São João Batista, tinha uma pequena população, mas heterogênea. A cidade tinha 1.480 habitantes, dos quais a maioria – 1.275 – era de estrangeiros, principalmente argentinos e paraguaios.

“Apesar da diferença de nacionalidade entre a população local, alguns registros demonstram que o entrosamento era relativamente tranquilo e as reuniões sociais e eventos festivos não eram raros. Segundo relatos da pioneira Ottília Schimmelpfeng, o povo era dado às festas promovidas, principalmente, em torno da igreja.”

No entanto, em 1925, com a passagem da Coluna Prestes pelo município, onde se concentrou para dar início à sua marcha revolucionária pelo Brasil, a calma foi quebrada. Muitos moradores fugiram para os países vizinhos para só voltar quando tudo voltasse à normalidade.

Quando os revoltosos partiram, houve muita festa. No dia 3 de maio, um domingo, houve uma missa de ação de graças na capela. “Soltaram muitos fogos e um deles caiu sobre o telhado da capela, provocando um incêndio. A população, com a ajuda dos militares ali presentes, conseguiu salvar a imagem e outros objetos litúrgicos, porém a Igreja foi totalmente consumida pelas chamas. (Painel História. PSJB)”. 

O Livro Tombo da Paróquia São João Batista também narra este episódio, lembrando que, “providencialmente, antes do incêndio, o Curato de Foz do Iguaçu já havia recebido uma autorização vinda de Curitiba para a construção de uma nova igreja de alvenaria”. No dia 24 de junho de 1925, no local onde estava a capela, “foi colocada e benta solenemente a pedra fundamental para a construção da nova igreja, maior e mais bela”.

Festa do padroeiro, tradição religiosa

O padre Willian Alves, pároco da igreja São Batista, conta que a festa do padroeiro é uma das festividades que mais movimentam uma determinada localidade onde se encontra uma paróquia. “É por meio dessa festa que se celebra o patrono de uma região, o qual foi o grande responsável em nomear uma igreja, catedral ou até mesmo a cidade. Embora poucas pessoas saibam, a festa do padroeiro é uma celebração antiga e que traz grandes benefícios para os fiéis e a população local que a celebra.”

Por isso, segundo ele, vivenciar a celebração com fidelidade e fé expectante trará inúmeras graças, seja para quem a prepara ou simplesmente para quem apenas participa. “Vivenciar esta festividade católica deve ser motivo de muita alegria e gratidão para os moradores de cada realidade paróquia”.

A escolha do padroeiro

Os primeiros cristãos tinham o costume de invocar os santos para que os ajudassem em sua vida de fé. Quando, em uma localidade, um santo era invocado por muitas pessoas, ele se tornava o padroeiro daquele lugar. Na história da Igreja, esse costume tornou-se muito comum no século VII e até hoje faz parte da realidade católica através das festas dos padroeiros.

Os relatos sobre a escolha de São João Batista como padroeiro de Foz do Iguaçu apresentam pelo menos duas versões diferentes. Em linhas gerais, diz Mac Donald Fernandes Bernal, autor da tese de doutorado sobre a matriz São João Batista, as versões “não chegam a ser conflitivas, podendo ser ambas consideradas”.

Uma delas é de que São João Batista como padroeiro da cidade passa pela devoção de Dona Alzira, esposa do diretor da Colônia Militar, João Soares Neiva de Lima. Ela doou uma pequena imagem do santo para a primeira celebração realizada na capela erigida na colônia em 1924, próximo ao local onde se encontra a igreja atualmente.

Outra versão aponta o fator fluvial local como determinante para a escolha. A presença dos rios Paraná e Iguaçu na região teve influência direta na escolha de São João, que pregava e batizava à beira do Rio Jordão, conforme a narrativa bíblica. A comunidade foi receptiva e viu a escolha do padroeiro como providencial.

Programação da festa do centenário da matriz

Confira a programação religiosa e festiva do centenário da Igreja Matriz São João Batista, que começa no dia 15 e prossegue até dia 24, quando se celebra tanto o dia do santo padroeiro, São João Batista, como a data em que foi criado o primeiro templo católico de Foz do Iguaçu. 

Antes da abertura oficial, no dia 14, sexta-feira, será apresentada a peça teatral A vida de São João Batista, encenada pelos catequizandos da quarta e quinta etapas da catequese, logo depois da santa missa das 19h.

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